quinta-feira, 31 de maio de 2012

Felipe Maia diz que blog está desinformado sobre #Caixa2doDEMnoRN

Questionei esta tarde o deputado federal Felipe Maia (DEM), pelo twitter, acerca do #Caixa2doDEMnoRN. Será que ele ou o pai pressionaram pela punição dos envolvidos?
Felipe pareceu-me adotar a mesma postura do pai semana passada: livrar o seu e deixar o embróglio nas mãos de Carlos Augusto Rosado e da governadora Rosalba Ciarlini.
Felipe me acusou de estar desinformado sobre o caso.

MP divulga nota de esclarecimento sobre a `Operação Vulcano´

O Ministério Público do Estado do Rio Grande do Norte, em razão de Nota publicada ontem, 30/05/2012, pela Câmara de Vereadores de Mossoró após a realização da Operação Vulcano, esclarece os seguintes pontos:

1 – A Operação Vulcano, deflagrada na manhã de ontem, 30/05/2012, na cidade de Mossoró foi organizada e conduzida pela Polícia Federal, cabendo ao Ministério Público o papel de apoio e garantia dos direitos constitucionais dos envolvidos;

2 – A forma de acesso aos documentos referentes aos Projetos de Lei citados na Nota da Câmara de Vereadores de Mossoró foi uma decisão da Polícia Federal, que formulou todos os pedidos  judiciais de buscas  apreensões e prisões, atendendo aos requisitos legais da necessidade para a investigação e adequação da medida à gravidade do crime e circunstâncias dos fatos;

3 – Os representantes do Ministério Público não estiveram presentes no cumprimento de nenhum mandado de busca e apreensão nem de prisão;

4 – Em relação à prisão do vereador, a Polícia Federal avaliou que ele tinha participação no apoio legislativo ao cartel estabelecido pelos donos de postos de combustíveis, justificando, com isso, a necessidade de sua prisão temporária para maiores esclarecimentos;

5 – Tendo em vista que se tratou de uma operação conduzida pela Polícia Federal, subsidiada por dados técnicos do Conselho Administrativo de Direito Econômico do Ministério da Justiça e baseada em requisitos legais, o Ministério Público repudia a declaração da citada Casa Legislativa de que houve "açodamento" ou "desequilíbrio" por parte do Ministério Público;

6 – Por fim, o Ministério Público ratifica que não possui postura de atuação para fins midiáticos ou para defender interesses de natureza pessoal de quaisquer de seus membros; concentrando sua atuação no respeito e na defesa da ordem jurídica e do regime democrático do direito, estando sempre à serviço dos interesses coletivos e não de interesses particulares e ou de grupos econômicos.

 

 

PROCURADORIA-GERAL DE JUSTIÇA
ASSOCIAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO RN

Será que a Operação Castelo de Areia e o #Caixa2doDEMnoRN têm relação?

Quando teve lugar a Operação Castelo de Areia, em março de 2009, que envolvia o senador José Agripino (DEM), as denúncias sobre o #Caixa2doDEMnoRN já estavam na Procuradoria Geral da República.
O Superior Tribunal de Justiça destruiu as investigações, anulando as provas conseguidas com interceptações telefônicas autorizadas no ano passado.  Ainda hoje se espera uma decisão do STF.


#Caixa2doDEMnoRN: As redes sociais são as caixas sonoras da sociedade, que o diga o Caixa 2 de Rosalba

Carlos A. Barbosa

Todo o cuidado é pouco hoje em dia principalmente em se tratando de político, ou da política, melhor dizendo. As redes sociais são as caixas sonoras da sociedade e estão atentas ao que está a sua volta repercutindo tudo no mundo virtual.

Nesta quarta-feira (30) mais uma prova cabal do que estou a dizer foi configurada. Por aproximadamente uma hora, a hashtag #Caixa2doDEMnoRN liderou o ranking do Twitter no Brasil.

As gravações das interceptações telefônicas realizadas pelo Ministério Público Estadual, com autorização judicial, sobre um suposto esquema de Caixa 2 da então candidata ao Senado, Rosalba Ciarlini – hoje governadora do RN-, nas eleições de 2006,  publicadas no blog De olho no discurso, do jornalista Daniel Dantas Lemos, e repercutidas aqui neste espaço, e ignoradas pela mídia tradicional, ganharam visibilidade nacional e o tuitaço pode ter ajudado a furar o bloqueio que apenas blogs tinha tido a coragem de romper, como bem disse o próprio Daniel Dantas.

E embora o advogado Felipe Cortez, que atua na defesa da governadora Rosalba Ciarlini, do seu marido Carlos Augusto Rosado, e do secretário-adjunto da Casa Civil Francisco Galbi Saldanha, afirme que todos os seus clientes estão tranquilos, pois que, o MPE e o Ministério Público Federal, que atua nas questões eleitorais, teriam arquivado a investigação por não terem encontrado nada de relevante, não foi isso que o MPE e o MPF informaram ao jornalista.

E é verdade: Em nota divulgada na quinta-feira (24) passada, o MP disse que,  "diante do conteúdo de algumas gravações presentes nos relatórios do terminal de uma das pessoas interceptadas, o juiz competente autorizou, como determina o art. 40 do Código de Processo Penal brasileiro, a remessa dos relatórios e áudios a outros órgãos do Ministério Público com atribuição para apurar outros possíveis ilícitos sem conexão com o homicídio investigado. Alguns desses áudios foram remetidos ao Procurador Geral da República, a quem cabe, se for o caso, esclarecer os encaminhamentos ulteriores adotados".  Ou seja, não houve arquivamento.

Mas Daniel diz ainda que na segunda-feira (28), conversou com a assessoria de imprensa do Ministério Público Federal.  A assessoria informou que, mesmo se tratando de ação eleitoral, o assunto, quando recebido pelo Ministério Público Eleitoral no RN, foi inteiramente encaminhado para a Procuradoria Geral da República, por se referir a três personagens com foro especial.  Até porque fica ligado ao procurador geral da República a Procuradoria Geral Eleitoral que, se fosse o caso, poderia ajuizar a questão.  No âmbito no MPF, portanto, não houve arquivamento.

E mais, diz ele:

- Desde a segunda-feira estou em contato com a Assessoria de Imprensa da Procuradoria Geral da República.  A Assessoria não havia ainda conseguido informações sobre o caso.  Na pesquisa no sistema interno não foram encontradas informações.  O que pode significar que o caso corre em sigilo.  A consulta foi repassada para a mesma subprocuradora que é responsável pelas investigações da Operação Sinal Fechado.  Não há confirmação de arquivamento.

Finalizando as informações, Daniel Dantas lembra que o crime de Caixa 2 em campanha eleitoral é descrito no artigo 350 do Código Eleitoral, que diz que: o crime só prescreve em doze anos, se o máximo da pena é superior a quatro anos e não excede a oito. Que é o caso do suposto Caixa 2 de Rosalba.

Confira clicando aqui

#Caixa2doDEMnoRN: Caso não foi arquivado nem pelo MPE nem pelo MPF

Em entrevista ao Jornal de Hoje nesta quarta, o advogado Felipe Cortez, que atua na defesa da governadora Rosalba Ciarlini, do seu marido Carlos Augusto Rosado e do secretário-adjunto da Casa Civil Francisco Galbi Saldanha, afirmou que todos estão tranquilos. 
Segundo Felipe Cortez, o Ministério Público estadual e o Ministério Público Federal, que atual nas questões eleitorais, teriam arquivado a investigação por não terem encontrado nada de relevante.  Não foi isso que o MPE e o MPF informaram ao blog.
Em nota divulgada na quinta-feira passada, 24, o Ministério Público estadual disse que "diante do conteúdo de algumas gravações presentes nos relatórios do terminal de uma das pessoas interceptadas, o Juiz competente autor izou, como determina o art. 40 do Código de Processo Penal brasileiro, a remessa dos relatórios e áudios a outros órgãos do Ministério Público com atribuição para apurar outros possíveis ilícitos sem conexão com o homicídio investigado. Alguns desses áudios foram remetidos ao Procurador Geral da República, a quem cabe, se for o caso, esclarecer os encaminhamentos ulteriores adotados".  Ou seja, não houve arquivamento.
Na segunda-feira, 28, conversei com a assessoria de imprensa do Ministério Público Federal.  A assessoria informou que, mesmo se tratando de ação eleitoral, o assunto, quando recebido pelo Ministério Público eleitoral no RN, foi inteiramente encaminhado para a Procuradoria Geral da República, por se referir a três personagens com foro especial.  Até porque fica ligado ao Procurador Geral da República a Procuradoria Geral Elei toral que, se fosse o caso, poderia ajuizar a questão.  No âmbito no MPF, portanto, não houve arquivamento.
Desde a segunda-feira estou em contato com a Assessoria de Imprensa da Procuradoria Geral da República.  A Assessoria não havia ainda conseguido informações sobre o caso.  Na pesquisa no sistema interno não foram encontradas informações.  O que pode significar que o caso corre em sigilo.  A consulta foi repassada para a mesma subprocuradora que é responsável pelas investigações da Operação Sinal Fechado.  Não há confirmação de arquivamento.
Sugiro aos colegas do Jornal de Hoje que façam o mesmo caminho de consultas aos órgãos ministeriais - lembrando que, conforme publiquei aqui, o caso só prescreverá em 2018.

Perillo tenta intimidar Lula, que agora é defendido por ministro do STF

Por Luís Fausto
Depois de Gilmar Mendes, o ministro-suspeito do Supremo Tribunal Federal (STF) que fala muito e não prova nada, chegou a vez de Marconi Perillo - o governador tucano de Goiás enrolado até o pescoço com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Segundo o portal Goiás 247, assessores do governador estão tentando intimidar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Lula vai se arrepender amargamente de ter colocado Marconi Perillo no olho do furacão", é a frase de um post na página de um assessor do governador Marconi Perillo que foi postada no meio da noite desta quarta-feira, 30, e logo em seguida retirada (mas 'printado' pelo 247). Outra mensagem postada e apagada: "Perguntinha - E se pintar pato roco nas conversas de Carlinhos Cachoeira?" A afirmação tem endereço certo: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Durante o dia, informações de bastidores davam conta de uma informação com origem em fontes ligadas ao governador tucano: o vazamento de informações da Operação Monte Carlo foi programado e entre as "muitas coisas" que ainda não teriam sido divulgadas estaria um protocolo da Polícia Federal sobre conversas de lulistas com Cachoeira.

Assim, sem mais nem menos, a informação circulou de boca em boca até os dois posts, publicados e apagados, que por sua vez sucederam declarações fortes do governador no final da tarde com mais tiros na direção de Lula. "Nós vivemos em um país em que algumas lideranças que se consideram acima do bem e do mal, se consideram verdadeiros deuses, não passam de lideranças de quinta categoria. Basta uma oportunidade para que as pessoas comecem a entender as coisas, a conhecer falsos líderes que se firmam na demagogia barata junto às pessoas menos esclarecidas", disparou Marconi, com endereço certo - Lula - durante discurso no Centro Cultural Oscar Niemeyer (CCON), onde entregou 52 cartões do programa Bolsa Futuro.

Segundo informação do site A Redação, o governador também afirmou que tem sido perseguido por causa de sua 'suposta relação' com o contraventor Carlinhos Cachoeira. "A pior coisa do mundo não é a pobreza financeira. É a pobreza de espírito daqueles que nutrem ódio contra as pessoas. Daqueles que querem se perpetuar no poder a qualquer custo. Aqui em Goiás somos um povo livre", falou, ele que está no terceiro mandato de governador. Lula, vale lembrar, ficou dois mandatos no Poder.

Interessante também, no mesmo portal 247, é a informação de que a família Perillo já tem um novo herói. "É o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que acusou o ex-presidente Lula de "tentar melar o processo do mensalão". O recado foi dado por Ana Luísa Perillo, filho do governador tucano Marconi Perillo, de Goiás. "Gilmar Mendes, me dá um autógrafo????????????", postou a moça. Coincidência ou não, foram 13 interrogações no seu tweet, numa possível alusão ao número do PT.

Já na Folha de S.Paulo, Felipe Seligman ousa fazer jornalismo e informa que pelo menos cinco dos 11 ministros do STF se encontraram com Lula neste ano, mas apenas Gilmar Mendes afirma ter discutido sobre o julgamento do mensalão. Talvez por isso a maioria dos ministros da suprema corte tenham avaliado que o STF nao deve se posicionar em defesa do colega Gilmar Mendes ou contra o ex-presidente Lula. Entre os magistrados, segundo outra reportagem de Seligman, predomina o entendimento de que o encontro entre Lula e Gilmar não foi um episódio institucional, mas pessoal.

Ainda na mesma Folha, Fernando Rodrigues conta que o ministro Marco Aurélio Mello, segundo mais antigo dos 11 integrantes do STF, disse ontem considerar "legítimo" e "normal" que Lula manifeste sua opinião sobre a data que considera mais conveniente para o julgamento do mensalão. "Admito que o ex-presidente pudesse estar preocupado com a realização do julgamento no mesmo semestre das eleições. Isso aí é aceitável", afirmou o ministro, que diz não ter entendido a entrevista de Gilmar à Veja devido ao "espaço de tempo entre o ocorrido, o encontro, e a divulgação do encontro".

Talvez por isso, e por outras coisinhas mais, Lula tenha dito ontem, em um encontro na capital da República, que precisa tomar cuidado com os seus inimigos. "Vocês sabem que tem muita gente que gosta de mim, mas tem outras que não gostam e eu tenho que tomar cuidado com essas. Elas são minoria, mas estão aí no pedaço", desabafou o ex-presidente da República, segundo reportagem do jornal O Globo.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Tuitaço #Caixa2doDEMnoRN fura bloqueio da mídia potiguar

Por Alisson Almeida
No Embolando Palavras

primeiro lugar nos tts brasil

A tarde desta quarta-feira,30, foi movimentada na blogosfera potiguar. Durante quase uma hora, a hashtag (palavra-chave) #Caixa2doDEMnoRN ficou em primeiro lugar no ranking dos assuntos mais comentados do Twitter no Brasil. Além disso, o termo também liderou os Trends Natal.
O esquema usado campanha da então candidata a senadora em 2006 Rosalba Ciarlini (DEM), atual governadora do RN, foi revelado pelo jornalista Daniel Dantas Lemos no blog De Olho no Discurso.
Interceptações telefônicas, com autorização judicial, foram realizadas no âmbito de uma investigação criminal em curso à época feita pelo Ministério Público do Estado (MPE). No total, são 42 gravações nas quais um dos personagens centrais é o chefe do Gabinete Civil do RN e marido da governadora Rosalba Ciarlini, Carlos Augusto Rosado.
Os áudios revelam como Ravengar, apelido de Carlos Augusto no meio político do RN, operou com Galbi Saldanha, então contador da campanha do PFL (antigo nome do DEM), o esquema para assegurar a eleição de Rosalba em 2006. A estratégia, segundo as gravações, teria envolvido compra de apoio de políticoscompra de votosfraude em prestação de contas com uso de notas fiscais frias e uma complexa rede de Caixa 2.
O senador José Agripino, presidente nacional do DEM, também foi flagrado nos áudios acertando o pagamento de R$ 20 mil ao ex-vereador Salatiel de Souza, condenado no processo da Operação Impacto.
Em janeiro de 2009, a investigação foi encaminhada à Procuradoria-Geral da República (PGR), uma vez que alguns personagens têm a prerrogativa do foro privilegiado. O caso, porém, foi arquivado pelo procurador-geral Roberto Gurgel, o mesmo que engavetou o processo contra o senador Demóstenes Torres (ex-DEM), acusado de ligação com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.
A despeito da seriedade do escândalo e da repercussão nacional da denúncia, o caso foi solenemente ignorado pelos jornalões da mídia tradicional do RN – as únicas exceções ficaram por conta d’O Jornal de Hoje e do portal Nominuto.com. A maioria dos blogs políticos também fez silêncio sobre o assunto.
Para furar esse bloqueio dos veículos tradicionais e dar visibilidade nacional ao caso, ativistas digitais e militantes da blogosfera progressista se mobilizaram para promover o tuitaço sobre o #Caixa2doDEMnoRN.
A mobilização se revelou um sucesso e demonstrou a força das novas redes sociais frente ao poder da grande mídia. Daqui pra frente, vai ficar difícil explicar a omissão sobre esse esquema.

#Caixa2doDEMnoRN só prescreverá em 2018

Vários colegas jornalistas justificaram não terem repercutido os áudios que relatam os indícios de crimes, como Caixa 2 e fraude em prestação de contas da campanha do PFL em 2006 com base na premissa da prescrição de todos eles.
A premissa é falsa.
O crime de Caixa 2 em campanha eleitoral é descrito no artigo 350 do Código Eleitoral:
Art. 350. Omitir, em documento público ou particular, declaração que dêle devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, para fins eleitorais:
Pena - reclusão até cinco anos e pagamento de 5 a 15 dias-multa, se o documento é público, e reclusão até três anos e pagamento de 3 a 10 dias-multa se o documento é particular.
Parágrafo único. Se o agente da falsidade documental é funcionário público e comete o crime prevalecendo-se do cargo ou se a falsificação ou alteração é de assentamentos de registro civil, a pena é agravada.
A pena máxima prevista é "reclusão de até cinco anos".  Nesse caso, qual a prescrição?
O tempo de prescrição é definido no artigo 109 do Código Penal:
Art. 109 - A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final, salvo o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 110 deste Código, regula-se pelo máximo da pena privativa de liberdade cominada ao crime, verificando-se: (Redação dada pela Lei nº 7.209 , de 11.7.1984)
I - em vinte anos, se o máximo da pena é superior a doze;
II - em dezesseis anos, se o máximo da pena é superior a oito anos e não excede a doze;
III - em doze anos, se o máximo da pena é superior a quatro anos e não excede a oito;
IV - em oito anos, se o máximo da pena é superior a dois anos e não excede a quatro;
Se a pena máxima é de cinco anos, conforme prevê o artigo 109 do CP a prescrição é de doze anos.  Desse modo, os crimes relatados pelos áudios do #Caixa2doDEMnoRN prescreverão, apenas, em 2018 - crimes ocorridos nas eleições de 2006.
Nem mesmo o fato de a investigação ter, possivelmente, sido arquivada pela Procuradoria Geral da República é suficiente - uma vez que uma ação pode ser desarquivada.
No entanto, a PGR ainda não confirmou se a investigação foi arquivada.  Segundo informações da assessoria de imprensa do órgão, não constam dados no sistema interno sobre o caso.  O que pode indicar que a investigação continua - sob sigilo.

Henrique Alves tenta desqualificar denúncias

O deputado Henrique Alves, líder do PMDB na Câmara dos Deputados, divulgou nota à imprensa esta noite - que também postou no seu perfil do twitter:
Não sei se atribuo à má fé, ou à desinformação, a absurda notícia de que negociei cargos no Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte. Até porque nunca tratei ou sequer pensei em interferir em nomeações na gestão de qualquer magistrado da referida Corte. Minha relação com as autoridades do Judiciário sempre foi amistosa e orientada pelo respeito, não estreita.
Assim, diante de propositado equívoco constante de um anonimato, repilo as cômicas insinuações, se não fossem trágicas à honra alheia.
Henrique Eduardo Alves
Deputado Federal PMDB/RN
Henrique responde à notícia que deu conta que o deputado está sendo investigado pela Procuradoria Geral da República em virtude de irregularidades no TRE do RN. A origem da investigação, provavelmente, foi essa carta anônima que publicamos em outubro passado.  Nela, o autor, assinado Abelardo Barbosa, relata várias contratações irregulares de pessoal - inclusive uma servidora que seria babá dos filhos do desembargador Expedito Ferreira e esposa de seu motorista.  Entre elas, a de Ângela Tereza Tonelli Dutra de Almeida, identificada como esposa de um assessor do deputado Henrique Alves.
O deputado esquece, ao tentar desqualificar a denúncia por ser anônima, que ações de crime organizado, por exemplo, geralmente só são investigadas a partir de denúncias anônimas.  O medo de represálias justifica.
Não importa se a denúncia foi anônima.  Importa se é verdade.

Por cerca de uma hora #Caixa2doDEMnoRN liderou ranking do Twitter

Esta tarde, por aproximadamente uma hora, a hashtag #Caixa2doDEMnoRN liderou o ranking do Twitter no Brasil.
As gravações das interceptações telefônicas, que foram solenemente ignoradas pela mídia tradicional do RN - à exceção do Jornal de Hoje e do No Minuto -, ganharam visibilidade nacional e o tuitaço pode ter ajudado a furar o bloqueio que apenas blogs tinha tido a coragem de romper.  Destaque para o Blog do Barbosa.
O tema também foi assunto no Blog do Miro e no Portal do Nassif, entre outros espaços.  Na semana passada, o Portal Brasil 247 também havia noticiado o assunto.  O governo oficialmente não se pronunciou sobre o assunto, mas circulam informações de que o sigilo bancário e fiscal de Galbi Saldanha tenham sido quebrados.
Aqui você pode saber mais sobre o uso do Caixa 2, a compra de votos, de apoios políticos e a fraude em notas fiscais promovidos pelo esquema.

#BlogProg: Relatos e perspectivas

Este fim de semana ocorreu em Salvador o 3o Encontro Nacional de Blogueiros. A participação do RN foi bastante positiva, com muita representatividade. Foi exibido o documentário "De ferro e de flor", de Tiago Aguiar e Adriana Amorim, sobre Ednaldo Filgueira, assassinado em 2011 em Serra do Mel.  Eu mesmo dirigi duas mesas.  A primeira, sobre liberdade de expressão, contou com Paulo Henrique Amorim, Lucio Flavio Pinto (por telefone), Emílio Gusmão e Esmael Moraes.

Liberdade de expressão foi debatida na manhã do sábado

À tarde, participei de uma mesa autogestionada sobre Homofobia e estado laico.
Eduardo Nunes e os pastores Marcos Monteiro e Marcos Dornel


Ao fim do encontro, restaram-nos muitos desafios. Por isso, precisamos fazer um bate-papo o mais rapidamente possível - inclusive porque na nova conformação da Comissão Organizadora Nacional do BlogProg haverá um representante de cada estado.

O próximo Encontro Nacional será em março ou abril de 2014 (período anterior à Copa do Mundo). A cidade-sede não foi escolhida. Quem quiser se candidatar precisará enviar um projeto sustentável até o mês de novembro próximo. O Encontro Mundial de Foz foi remarcado para o mesmo período em 2013. Desse modo, os Encontros Nacionais ocorrerão nos anos pares e os Mundiais nos anos ímpares.

Em acordo com os potiguares que participávamos do encontro em Salvador, estamos marcando nossa reunião para as 19 h desta quinta-feira (31) no Café no Ponto do Natal Shopping (conhecido como Senadinho).

A pauta, basicamente, será a seguinte:

1) Relato sobre o Encontro Nacional em Salvador.
2) Importância do Dia 15 de Junho (dia do blogueiro em referência ao assassinato de Ednaldo Filgueira)
3) Escolha da Comissão local e do representante do RN na Comissão Organizadora Nacional.

Publiquem isso. Espalhem. Convidem o maior número de pessoas possível para termos um encontro com o máximo de representatividade.

Teste de voz revela que #GilmarMentes

Por Ricardo Kotscho

Na enxurrada de entrevistas que vem concedendo sobre o seu encontro com o ex-presidente Lula, no escritório do ex-ministro Nelson Jobim, no dia 26 de abril, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, aparece cada vez mais descontrolado, atirando para todo lado, como se estivesse sofrendo uma forte perseguição.

Foi o que se viu na entrevista que concedeu ao "Jornal Nacional", da TV Globo, na noite de segunda-feira. Suando muito, lívido, inseguro, olhando a toda hora para os lados, Mendes em nada lembrava o combativo ministro do STF, sempre muito veemente e definitivo nas suas declarações.

O perito Mauro Nadvorny, diretor presidente da Truster Brasil, empresa especializada em análise de frequência de voz, detectou trechos "fraudulentos e suspeitos" na entrevista concedida à TV pelo ex-presidente do STF.

A revelação do laudo de Nadvorny foi feita discretamente pelo portal UOL, uma empresa do Grupo Folha, em nota publicada às 18h14 de terça-feira, quando Mendes já havia concedido mais um balaio de entrevistas:

"Na análise de um total de 3 minutos de trechos da entrevista, foram detectadas 11 ocorrências de alto risco, cinco de provável risco e duas de baixo risco".

Para que não restem dúvidas, o perito explicou os termos técnicos: "Alto risco é uma maneira de dizer que a pessoa está mentindo".

A empresa Truster Brasil produz a tecnologia que detecta sinais de tensão, estresse, medo, embaraço e excitação em arquivos de voz. É o que antigamente se chamava de "detector de mentiras".

Sem saber da perícia feita na sua voz, em outra entrevista publicada nesta quarta-feira, Gilmar Mendes afirmou peremptoriamente ao jornal O Globo: "Não tenho histórico de mentira"

Curiosamente, a notícia do UOL, publicada sob o título "Exame de voz destaca "segmentos fraudulentos" em fala do ministro Gilmar Mendes", foi omitida dos assinantes da versão em papel da Folha, que preferiu dar outra manchete, mais ou menos na mesma linha dos seus concorrentes: "Meta de Lula é melar o julgamento", diz Mendes.

Neste caso, o jornal não fez nenhuma perícia para analisar a voz do ministro do STF, nem pediu provas sobre a sua acusação. Apenas reproduziu as declarações de Mendes ao repórter Felipe Seligman, da sucursal de Btrasília.

"Vamos parar com fofoca. A gente está lidando com gângsters. Estamos lidando com bandidos que ficam plantando informações". Na mesma entrevista, Mendes acusou o ex-presidente Lula de agir como uma "central de divulgação" com informações sobre as suas ligações com o senador Demóstenes Torres e seu amigo, o contraventor Carlinhos cachoeira.

Ao falar para o Estadão, Gilmar Mendes desta vez mirou também em Paulo Lacerda, delegado aposentado da Polícia Federal, ex-chefe da Agência Brasileira de Informações (Abin), a quem acusou de fazer investigações e fornecer informações contra ele para o PT.

"Eu acho que o ministro Gilmar Mendes, se ele falou isso, está totalmente desinformado em relação à minha vida e ao meu trabalho. Eu não tenho nenhuma relação com partido político. Nunca tive e não tenho", disse Lacerda ao repórter Eduardo Kattah.

Paulo Lacerda foi afastado da direção da Abin no célebre caso do "grampo sem áudio" publicado pela revista "Veja", em setembro de 2008, com denúncias sobre a gravação de supostas conversas entre Gilmar Mendes e seu amigo Demóstenes Torres.

Falando sem parar durante todo o dia aos veículos das Organizações Globo, Gilmar Mendes denunciou "uma sórdida ação orquestrada para enfraquecer o Supremo, levar o tribunal para a vala comum, fragilizar a instituição e estabelecer a nulidade da Corte", segundo a versão publicada pelo jornal impresso.

Para ele, como fica claro em todas as entrevistas, o principal responsável por esta ação é o ex-presidente Lula, mas Mendes não foi convidado por nenhum veículo a apresentar provas sobre as suas acusações. Prefere fazer comparações: "... o Brasil não é a Venezuela de Chávez... ele mandou até prender juiz."

É neste clima que Brasília convive com os preparativos para o julgamento do processo do mensalão e as trombadas da CPI do Cachoeira, a quatro meses das eleições municipais. Se juntar tudo e bater no liquidificador, vai dar um caldo meio esquisito.

Até o momento em que escrevo, na manhã desta quarta-feira, Lula ainda não respondeu às acusações de Gilmar Mendes.

O fato é que o ex-presidente, ainda se recuperando das sequelas do tratamento do câncer na laringe, que já completou sete meses, fez três apostas de alto risco: denunciar a "farsa do mensalão", bancar a candidatura de Fernando Haddad a prefeito de São Paulo e incentivar a criação da CPI do Cachoeira, tudo ao mesmo tempo.

Enquanto isso, com boa retaguarda na mídia, o ministro Gilmar Mendes vai assumindo o papel de líder da oposição a Lula e ao PT.

O que pensarão de tudo isso os demais membros do Supremo Tribunal Federal?

Verdades incômodas sobre o mensalão

Por Paulo Moreira Leite
(http://colunas.revistaepoca.globo.com/paulomoreiraleite/2012/05/30/verdades-incomodas-sobre-o-mensalao/)


O leitor que tiver paciência de ler esta nota até o fim terá elementos melhores para julgar o debate envolvendo Lula e Gilmar Mendes.

Escrevi em nota anterior que o pano de fundo deste conflito envolve o ambiente político em torno do mensalão.

Uma das partes tem interesses em politizar o debate no ponto máximo. A outra tem esperança de convencer os ministros a apoiar-se em argumentos de natureza técnico, no exame das provas.

A leitura do relatório do delegado da Polícia Federal Luiz Flávio Zampronha, disponível na internet, é rico em detalhes e bastante completo na abordagem.

Só para o leitor ter uma ideia da radicalização da situação. Tratado pela imprensa, o relatório já foi exibido como prova definitiva da existência do mensalão. Também foi apontado como prova do contrário.

Em suas conclusões, o relatório mostra que se o PT não pode estar feliz com as denúncias apuradas, a oposição não tem o direito de festejar por antecipação.

É por isso que o julgamento é aguardado com tensão. Ninguém sabe o que pode acontecer. E ninguém quer prestar atenção ao relatório.

Zampronha juntou os fios dos empréstimos bancários e dos contratos de publicidade do Banco do Brasil e concluiu que houve sim desvio de dinheiro público para pagar os compromissos assumidos pelo PT. Os dados estão lá.

O PT pode alegar, corretamente, que o mensalão de Delúbio Soares é igual ao mensalão mineiro e até pode dizer que o esquema dos tucanos mineiros está melhor demonstrado. Tudo isso é verdade. Ma a culpa de Marcos Valério em Minas pode até ajudar a denúncia em seu devido lugar. Mas não ajuda a demonstrar que ele era inocente quando se juntou ao PT.

Pelo relatório, petistas e não petistas que deixaram sua assinatura em algum documento oficial terão dificuldades muito grandes para demonstrar que são inocentes.

O problema, para a oposição, é que essas conclusões estão longe de demonstrar a culpa dos 38 réus. Pior ainda. Para quem transformou José Dirceu no cérebro e gênio do mal do mensalão, a investigação da Polícia Federal é uma decepção.

Evitando mencionar hipóteses que estão na mente de muitas pessoas, mas não podem ser comprovadas com fatos, o relatório não apresenta uma linha contra Dirceu.

Embora Zampronha não dê entrevistas, é fácil concluir o que aconteceu.

A culpa de Dirceu não foi registrada pela equipe de policiais encarregada de apurar os fatos capazes de incriminá-lo. Não há provas contra ele. Nenhuma.

Não há uma denúncia nem uma testemunha. O próprio Roberto Jefferson, que fez acusações políticas a Dirceu em 2005, não apontou um caso específico nem uma situação precisa. Aliás: quem voltar à entrevista de Jefferson a Renata Lo Prete, na Folha, irá encontrar palavras em que ele testemunha a reação de Dirceu de crítica ao próprio Delúbio. Jefferson contou a Lo Prete que, ao ser informado do que ocorria, Dirceu até deu socos na mesa. (Ele também disse que Lula chorou).

Puro teatro maquiavélico, você pode dizer. Coisa de tem treinados profissionais do crime. São todos farsantes, mentirosos…Esses políticos são todos iguais. Quem sabe?

Falando para os autos, Jefferson também não falou sobre o esquema de “compra de votos no Congresso” nem de “compra de consciências”. Jefferson repete nos vários depoimentos que deu à Polícia que jamais votou em projetos do governo em troca de dinheiro. Lembra que ele e sua bancada estavam de acordo com as propostas de Lula. Dá exemplos.

Fala que o problema é que os petistas combinaram e não entregaram recursos para a campanha de 2004.

Jefferson, neste aspecto, concorda com aquilo que Delúbio sempre disse. Era dinheiro de campanha.

Já estou ouvindo um grito do leitor do outro lado: “P…que p…!”

“Não é possível!”

“O PML enlouqueceu de vez!”

“Não percebe que a Polícia Federal faz o que o governo quer?”

Todos nós temos direito a uma opinião sobre o caso e seus protagonistas mas, acionada pela Procuradoria Geral da República, aquela que denunciou o governo pela montagem de uma “organização criminosa”, a Polícia Federal chegou a outro caminho.

Não demonstra o “mensalão”. Tampouco aponta para José Dirceu. Mas incrimina quem foi apanhado numa operação que implicava em desvio de recursos públicos. Não é pouca coisa, num país de altíssima impunidade. Mas não irá agradar quem acredita que estava tudo provado e demonstrado sobre a “quadrilha criminosa.”

Isso quer dizer que o Supremo irá seguir as recomendações da Polícia Federal? Nem de longe. Cada ministro tem o direito a suas convicções e próprias conclusões. O relatório da Polícia Federal pode inspirar alguns ministros, a maioria, a minoria, ou nenhum. Com certeza não será um julgamento unânime como a votação sobre cotas.

Não é inteiramente bom para nenhum lado. Nem totalmente ruim.

Investigação contra desembargadores inclui Henrique Alves

Conforme falávamos ontem, a denúncia contra Saraiva Sobrinho, relativa a irregularidades na administração do TRE, incluía a nomeação da esposa de um assessor de Henrique Alves (PMDB). Em 29 de outubro publicamos uma carta com denúncias sobre o assunto. Em novembro a Polícia Federal conduziu o assunto ao Procurador Geral da República.

http://www.diariodenatal.com.br/2012/05/30/cidades1_0.php

Além da apuração de infração disciplinar que corre no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) desde o fim de abril, os desembargadores Expedito Ferreira de Souza (vice-presidente do Tribunal de Justiça), João Rebouças e Francisco Saraiva Sobrinho, (presidente do Tribunal Regional Eleitoral do RN), têm seus trabalhos dentro da Justiça Eleitoral investigados pela Procuradoria Geral da República (PGR). Também está incluído nas investigações de supostas irregularidades no TRE o deputado federal Henrique Eduardo Alves (PMDB). O processo está sob análise do procurador-geral da República Roberto Gurgel desde quando foi encaminhado à Brasília pela Superintendência da Polícia Federal no RN, em novembro do ano passado. A PGR apura a responsabilidade dos três desembargadores e do deputado federal em "supostas irregularidades verificadas em nomeações para cargos no TRE-RN", segundo afirmou a assessoria de comunicação da PGR.

Segundo uma fonte que tem acesso ao processo, o deputado Henrique Alves seria acusado de nomear indicados para gabinetes no TRE, e desfrutar de uma relação estreita com o desembargador João Rebouças, que incluiria trocas de favores. A fonte afirma que o processo se refere, ainda, a possíveis indicações ao cargo de ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), da parte do parlamentar. No entanto, o teor do processo está sob segredo de Justiça, e não pode ser disponibilizado para a imprensa. Informada a respeito, a assessoria da PGR disse que não poderia se pronunciar acerca de detalhes do processo.

Com a confirmação de que mais três desembargadores estão sob investigação, chega a cinco a quantidade de magistrados que tem indícios de irregularidades apurados em seus trabalhos, totalizando um terço da Corte do Tribunal de Justiça do RN (TJ-RN). Além de Expedito Ferreira, Saraiva Sobrinho e João Rebouças, são investigados pelo CNJ os desembargadores Rafael Godeiro e Osvaldo Cruz. Ambos também têm inquérito em desfavor aberto no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em virtude da suposta participação de nos desvios de recursos orquestrados por Carla Ubarana na Divisão de Precatórios do TJ-RN enquanto foram presidentes do TJ.

O desembargador Saraiva Sobrinho preside o TRE-RN desde o dia 2 de setembro do ano passado, quando assumiu a vaga deixada pelo desembargador Vivaldo Pinheiro, atual vice-presidente da Corte. Entre 2008 e 2010 o tribunal eleitoral esteve sob o comando de Expedito Ferreira. O terceiro desembargador suspeito de irregularidades, João Rebouças, apesar de nunca ter presidido o TRE é bastante cotado nos bastidores da justiça potiguar para assumir o posto hoje ocupado por Saraiva Sobrinho. Rebouças também já chegou a ocupar interinamente funções no tribunal, como quando substituiu o então corregedor regional eleitoral, desembargador Cláudio Santos, na sessão extraordinária de 10 de agosto de 2008.

A reportagem procurou os desembargadores para que comentassem sobre a representação que encontra-se na PGR. O presidente do TRE, Saraiva Sobrinho, encontrava-seem Brasília para tratar de assuntos relacionados ao processo eleitoral, enquanto que João Rebouças e Expedito Ferreira não foram localizados. O deputado Henrique Alves também foi procurado, mas não atendeu as ligações da reportagem.

terça-feira, 29 de maio de 2012

#Caixa2doDEMnoRN: Rosalba silencia sobre corrupção eleitoral na campanha ao Senado

Adotando uma postura que tem servido tanto para preservá-la quanto para desgastá-la, a governadora Rosalba Ciarlini (DEM), distante do contato saudável e aberto com a mídia, mantém o silêncio até agora a respeito dos fortes indícios de irregularidades cometidas durante sua campanha ao Senado em 2006. O governo do Estado, através da Assessoria de Comunicação Social, informou que a governadora não irá falar sobre este assunto, porque "não tem nada a ver com o governo".

Dezenas de interceptações legais, que fizeram parte de uma investigação judicial, vazaram para a imprensa, que vem noticiando o fato. Nelas, o ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado (DEM), cotado para assumir o Gabinete Civil, aparece negociando com o então tesoureiro do DEM (naquela época PFL) sobre diversos aspectos financeiros da campanha de Rosalba ao Senado.

Através das escutas, é possível encontrar indícios de crimes, entre eles lavagem de dinheiro, compra de votos, sonegação fiscal e crime eleitoral. Apesar disso, a governadora tem ignorado solenemente a questão, desprezando a opinião pública do Rio Grande do Norte, que espera uma palavra da governante em relação aos áudios.

Segundo o secretário de Comunicação, Alexandre Mulatinho, o governo não se pronunciará porque o episódio porque não teve origem no governo, muito embora Rosalba só tenha chegado ao governo, depois de ser senadora da República. O fato é que na Justiça Eleitoral o crime prescreveu, uma vez que o prazo para esse tipo de questionamento é de 180 dias após o término da eleição, através de uma ação de investigação judicial eleitoral. Como o crime eleitoral prescreveu, resta ao Ministério Público analisar a possibilidade de investigar os demais ilícitos.
Além de Carlos Augusto Rosado, estrelam os áudios como operadores da campanha de Rosalba ao Senado dois dos atuais secretários do governo do Estado: o secretário de Administração, Alber Nóbrega, e o secretário adjunto do Gabinete Civil, Galbi Saldanha, aquele que era responsável pelo esquema financeiro-eleitoral do sistema Rosalba.

Para o governo, porém, não há necessidade de haver qualquer pronunciamento sobre o tema. "Isso é coisa de 2006, não é coisa de agora. Isso inclusive, pela informação que se tem do Ministério Público, teria sido arquivado". Na visão da gestão Rosalba, por se tratar de um fato de 2006, o governo não tem nada a ver com isso.

A guerra de versões entre a Globo e o Globo

Por Weden
No Luís Nassif Online

As duas "teses" da grande imprensa (a partir da matéria da Veja) sobre o suposto "crime de chantagem" praticado por Lula contra Gilmar Mendes foram desmentidas, ontem, pelo ministro do Supremo Tribunal Federal em entrevista para a Globo.

As declarações ganharam edições distintas.

As teses eram: 1) Lula pediu o adiamento do julgamento do "mensalão"; 2) Em troca, ofereceu blindagem a Gilmar Mendes.

O problema é que, no jornalismo, quando se quer sustentar a propaganda, até a notícia é sacrificada.

Vamos à decupagem do Jornal Nacional:

“Não houve nenhum pedido específico do presidente em relação ao mensalão. Manifestou um desejo, eu disse da dificuldade que o tribunal teria. Ele não pediu a mim diretamente. Disse: ‘O ideal era que isso não fosse julgado’. Então eu disse: ‘Não, vamos torcer para que haja um julgamento, e é tudo que o tribunal quer, e essa é a minha posição em matéria penal, é muito conhecida.”

Ou seja, uma conversa comum. Lula expressou o desejo de que o julgamento não fosse esse ano. Gilmar manteve sua opinião de que deveria ser logo.

Cadê a pressão? Cadê o pedido de adiamento?

Já na Globonews, Gilmar diz textualmente que não houve oferta de blindagem. Vamos às transcrições:

(A repórter pergunta): "Em algum momento (houve) a situação realmente de oferecer uma blindagem em relação às investigações que ocorrem no caso Carlinhos Cachoeira?"

(Resposta de Gilmar): "Não. Isso não se coloca dessa forma".

Ao final do texto, a matéria do JN reafirma: "Os ministros do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Ricardo Lewandowski confirmaram que tiveram encontros com o ex-presidente Lula, mas negaram ter sofrido qualquer tipo pressão por parte dele."

Exatamente o que diz a nota de Lula, que não negou o encontro, não negou a conversa, mas não confirma nem oferta de blindagem e nem pedido de adiamento.

Mas...

No dia seguinte, vem o Globo e mancheta:

"Guerra de versões entre Lula e Gilmar desafia CPI e Supremo".

Manteve-se a propaganda. Sacrificou-se a notícia.

#AgripinodoMilhao já sabia da entrevista de #GilmarMentes

Por Carlos A. Barbosa

A jornalista Virgínia Coelli é quem chama a atenção, no twitter e em seu blog Muitas Outras, para uma nota publicada nesta terça-feira (29) na coluna Roda Viva, do Novo Jornal, assinada pelo jornalista Cassiano Arruda, amigo do senador José Agripino Maia. Diz o texto:

- O senador José Agripino, na noite de sexta-feira, confidenciou a poucos amigos em Natal, com o compromisso de segredo absoluto, uma história que, no dia seguinte, estava nas páginas da Veja: que o ex-presidente Lula havia ameaçado o ministro Gilmar Mendes do Supremo Tribunal Federal.

No dia 26 de abril, depois do encontro com Lula, no escritório do ex-ministro Nelson Jobim, Mendes recebeu Agripino e não conseguiu esconder sua contrariedade e decepção com o que ouviu do ex-presidente da República.


Análise da Notícia


Por que Gilmar Mendes teria recebido o senador José Agripino Maia em seu escritório após o encontro com o ex-presidente Lula? Por que Gilmar Mendes contou à Agripino como foi a conversa com Lula? Estranho, muito estranho! Qual o motivo desse encontro cujo senador pediu segredo à amigos, mas que agora vaza, através de um jornalista muito amigo seu, Cassiano Arruda? As coisas começam a se esclarecer. Primeiro, uma conversa que vem à tona dias depois de um encontro entre Lula e Gilmar Mendes. Depois a escolha milimétricamente calculada da revista Veja para a publicação da matéria. E agora esse misterioso encontro do ministro do Supremo Tribunal Federal com o presidente nacional do DEM, José Agripino Maia. Com a palavra o senador democrata.

Operação Sinal Fechado: Desembargador Expedito Ferreira processa cinco pessoas

Na Tribuna do Norte

O desembargador Expedito Ferreira de Souza, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, entrou com seis ações na Justiça por conta da divulgação dos vídeos de delação premiada de Alcides Barbosa. Três dessas ações já foram arquivadas pelo juízo de primeiro grau.

As ações são contra lobista Alcides Fernandes Barbosa; o procurador geral do Estado, Miguel Josino; o advogado George Olímpio; o também advogado e ex-chefe da Casa Civil do RN Paulo de Tarso Fernandes; o empresário José Gilmar de Carvalho Lopes (Gilmar da Montana); e o marido da governadora Rosalba Ciarlini, Carlos Augusto Rosado. Algumas das ações eram "pedidos de explicações" para embasar uma ação principal.

As reclamações de Expedito Ferreira têm como motivação as acusações de Alcides Barbosa de que o desembargador receberia R$ 50 mil no esquema de fraude da licitação da inspeção veicular, que deu origem à operação Sinal Fechado.
Apesar de apenas Alcides ter citado diretamente o desembargador, Expedito entrou com ações citando outras pessoas para reunir informações que embasem uma ação principal de calúnia. Nesses termos, os outros processados deveriam confirmar ou negar judicialmente as informações citadas por Alcides.

Contudo, as ações que envolvem o procurador geral do Estado Miguel Josino, o marido da governadora Rosalba Ciarlini, Carlos Augusto Rosado, e o ex-chefe do Gabinete Civil, Paulo de Tarso Fernandes, foram arquivadas. Elas haviam sido protocoladas na 7ª e 8ª varas Criminais de Natal. Os juízes José Armando Pontes e Ivanaldo Bezerra entenderam que os três não fizeram nenhuma menção ao nome de Expedito e portanto não podem ser processado. "Não se condena ninguém no singelo 'pedido de explicações", diz o juiz Ivanaldo Bezerra.

#Caixa2doDEMnoRN: Áudios foram encaminhados à Procuradoria Geral da República

As eleições de 2006 foram realizadas sob a égide do controle das contas de campanha e dos seus gastos. No ano anterior, o chamado escândalo do Mensalão expôs as vísceras dos vícios e indícios de crimes de financiamento de campanha em cena no país.

Era de se esperar que os partidos tomassem mais cuidado naquela eleição com as práticas vedadas pela legislação eleitoral. O PFL no RN não teve esse cuidado. É o que se depreende dos 42 áudios de interceptações telefônicas a que o blog teve acesso e publicou entre a segunda-feira (21) e o domingo (27).

No âmbito de uma investigação do Ministério Público estadual, o telefone celular de Francisco Galbi Saldanha, atualmente secretário-adjunto da Casa Civil do governo Rosalba Ciarlini (DEM), foi grampeado. E trouxe à luz conversas muito elucidativas, principalmente entre Galbi e Carlos Augusto Rosado, marido da atual governadora e então candidata ao Senado Federal. Rosalba foi eleita em 2006, mas os telefonemas mostram esquemas de compra de apoio de políticoscompra de votosfraude em prestação de contas com uso de notas fiscais frias e uma complexa rede de Caixa 2.

Por envolverem políticos com o conhecido foro especial (o senador José Agripino, a então senadora Rosalba Ciarlini e o deputado federal Betinho Rosado), a investigação foi encaminhada pelo Ministério Público estadual e também pelo Ministério Público eleitoral para a Procuradoria Geral da República.  Em janeiro de 2009.

Muitas conversas explicitam, por exemplo, o uso de dinheiro vivo para pagamento de gastos de campanha - enquanto a lei exigia o uso de cheques vinculados às contas. Por exemplo, em 05 de setembro de 2006, Carlos Augusto e Galbi conversam sobre o saque de um dinheiro a ser feito na conta, com cartão, para pagamento de despesas de campanha.

Alguns nomes são muito frequentes nas interceptações do telefone de Francisco Galbi Saldanha. Aliás, o próprio Galbi trabalha com Carlos Augusto Rosado desde os tempos em que o atual primeiro-cavalheiro era presidente da Assembleia Legislativa (1981-1983).

A pessoa que aparece mais frequentemente nas ligações é a então secretária do PFL em Mossoró, "Neves". Neves é irmã do diretor-proprietário do Jornal de Fato, César Santos.

Já "Valentim" é Valentim Marinho, diretor do ITEP em Mossoró. Antônio de Castro é ex-secretário de Serviços Urbanos da prefeitura de Mossoró na gestão de Rosalba Ciarlini.

Outra personagem, "Alcineide", citada numa gravação é Alcineide Andrade, gerente da RPC (rádio Tapuyo), tesoureira do deputado federal Betinho Rosado, de absoluta confiança dele. Betinho é irmão de Carlos Augusto Rosado e atualmente ocupa o cargo de secretário de agricultura.

Até indícios do envolvimento com a máfia dos sanguessugas aparecem nessas ligações. Albert Nobrega, atual secretário de administração do estado, pede ajuda imediatamente a Galbi por causa de umas ambulâncias compradas pela prefeitura de Mossoró à época da máfia dos sanguessugas. Em 2006, Nobrega era presidente da Comissão de Licitação da prefeitura de Mossoró e é ele que diz que, sem ajuda de Galbi, “vai lascar Rosalba”, já senadora eleita.

Por fim, o proprietário do posto Leste-Oeste, usado na emissão de notas frias para justificar a movimentação de dinheiro da campanha, é Dix-sept Rosado, irmão caçula de Carlos Augusto, Betinho e Isaura Rosado, secretária de cultura do estado.

A rede é densa e muitas vezes eu tenho levado um tempo para entender as relações. Que são todas eminentemente familiares. Exemplo disso é a informação sobre os cheques da prefeita de Messias Targino, Francisca Shirley Targino. Inicialmente um comentarista disse que Shirley seria cunhada de Ruth e Rosalba Ciarlini, sendo casada com um irmão das duas, Clovis. Depois, outro comentário esclareceu que Shirley e Clóvis tiveram um relacionamento, mas não foram casados.

No caso de Ruth Ciarlini, que à época perdeu a reeleição para deputada estadual, é atual vice-prefeita de Mossoró.  A prefeita é Fafá Rosado, do DEM.  Sobre ela, Ruth diz que ia viver para trabalhar contra Fafá.  Na mesma gravação, Ruth Ciarlini chama seu gabinete na Assembleia Legislativa de "cabide de empregos".  São muitos nomes relacionados como cargos em comissão no gabinete - na verdade, a maior parte cabos eleitorais.  Ruth terminou a eleição quebrada e suas conversas sempre giram em torno desse tema.

Ouve-se a voz de José Agripino Maia negociando com Galbi Saldanha o repasse de uma verba de R$ 60 mil (em três parcelas de R$ 20 mil) ao ex-vereador natalense Salatiel de Souza.

Carlos Augusto também orienta Galbi a repassar dinheiro para o ex-vereador de Natal, Renato Dantas (R$ 50 mil), o atual presidente da Câmara Municipal de Natal, Edivan Martins (R$ 25 mil)a deputada Gesane Marinho e o atual presidente da Assembleia Legislativa do RN, Ricardo Motta. Tudo em troca do apoio dos políticos à candidatura de Rosalba e Garibaldi.

Em uma conversa, Galbi chama Salatiel de Souza de "cabra safado" porque, mesmo tendo levando em mãos R$ 20 mil para o vereador (que recebeu R$ 60 mil), no fim Salatiel aderiu à campanha da então governadora Wilma de Faria e do candidato ao Senado Fernando Bezerra.

Outro grave crime foi confessado nos áudios: Carlos Augusto Rosado informou à tesoureira da campanha do irmão que iria cair R$ 100 mil na conta de campanha de Betinho. Mas o dinheiro era de Rosalba. Depois, Carlos e Galbi tentam articular uma forma de, com uso de notas frias, justificar a retirada do dinheiro da conta de Betinho. Utilizam-se, inclusive, de notas frias do posto de combustível Leste-Oeste, de propriedade do irmão caçula de Carlos Augusto e Betinho.

O pequeno relato não dá conta de tudo o que está nos áudios. Mas você pode ouvir tudo nos links a seguir:



3) Gravações em 08 de setembro de 2006
4) Gravações em 15 de setembro de 2006 



7) Gravações em 03 de outubro de 2006
8) Gravações em 04 de outubro de 2006 





14) Gravações em 16 de outubro de 2006 


17) Gravações em 26 de outubro de 2006

Denúncia contra Saraiva Sobrinho por irregularidades no TRE

Em 29 de outubro do ano passado, enquanto participava do Encontro Mundial de Blogueiros em Foz do Iguaçu (PR), publiquei este post.  Ali falava acerca de uma carta assinada por um pseudônimo (Abelardo Barbosa) e que denunciava práticas irregulares do desembargador Saraiva Sobrinho à frente do TRE.
Ainda não havíamos tido a Operação Sinal Fechado, mas no âmbito da Operação Pecado Capital em setembro Saraiva havia sido guindado ao centro da ação: sua filha, Sayonara, supostamente era um dos casos de contratação irregular no IPEM de Rychardson Macedo.
No texto da carta, o autor diz que o TRE é um cabide de empregos, em que se acomodam os serviçais prediletos e os apadrinhados dos desembargadores. E a carta segue descrevendo as funções da ex-esposa de Saraiva, Maria José da Silva Saraiva, de uma sua babá e cita o caso da esposa de um assessor do líder do PMDB na Câmara Federal, Henrique Alves.
Na edição de hoje, o Novo Jornal traz informações sobre este caso.  Ao referir que um terço dos desembargadores do TJ-RN responde a processos promovidos pela Procuradoria Geral da República, Rafael Duarte cita o caso de Saraiva:
A novidade, no entanto, é o motivo das investigações contra Francisco Saraiva Sobrinho, Expedito Ferreira de Souza e João Rebouças na PGR. De acordo com a assessoria de comunicação da Procuradoria Geral da República, os três são suspeitos de envolvimento em irregularidades em nomeações para cargos no Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte.
A PGR recebeu em novembro de 2011 uma representação da superintendência da Polícia Federal no RN contra os três. “Encontra-se na PGR uma representação recebida em novembro de 2011 da Superintendência da Polícia Federal no Rio Grande do Norte em desfavor do presidente do TRE/RN, Francisco Saraiva Sobrinho, e dos desembargadores do TJ/RN João Rebouças e Expedito Ferreira de Souza, tendo em vista supostas irregularidades verificadas em nomeações para cargos no TRE/RN. O processo está em análise no gabinete do procurador-geral da República”, comunicou a assessoria por email.
Resta evidente, portanto, que a denúncia contra Saraiva Sobrinho tem raiz em documento semelhante àquele que publicamos em 29 de outubro.
Este é um blog militante, mas seu titular ainda procurar fazer jornalismo.